
[…] - Acho que você vai se arrepender se começar a se encontrar com ela de novo. Você está quase conseguindo…
- Quase conseguindo o quê?
- Superar Rebecca.
- Não estou não. Não estou nem perto disso.
- Você está mais perto do que imagina.
- Como você pode saber? Não quero ser grosseiro, pai, mas como você pode saber?
- Porque passei por isso milhões de vezes, é assim que posso saber - eu disse, rispidamente.
- Eu nunca vou conseguir superar Rebecca - ele retrucou, entregando-se ao desespero.
Eu sentia algumas pontadas de irritação, que brotavam como suor na minha pele. Não porque Jesse estivesse me questionando, mas porque ele estava infeliz e eu não podia fazer nada, nada mesmo, para aliviá-lo. Isso me fazia sentir raiva dele, como quando a gente tem vontade de sacudir uma criança porque ela caiu e se machucou. Ele me deu uma olhadela, do tipo que eu conhecia bem havia muitos anos, um olhar preocupado que significava “Ah, não, ele está ficando zangado comigo…”.
- É como um sujeito que tenta parar de fumar - eu disse. - Passa um mês, ele enche a cara e pensa: “Quer saber?” Só no meio do segundo cigarro é que ele lembra por que tinha parado. Mas agora já está fumando de novo. Então, ele precisará percorrer um longo caminho até voltar ao ponto em que estava antes de começar a fumar.
Jesse colocou sua mão no meu ombro, de forma amigável e carinhosa, e disse:
- Eu também não consigo parar de fumar, pai.